Dezesseis de janeiro, 16 horas da tarde, Mv Bill chega para o lançamento do seu livro “Falcão, Mulheres e o tráfico” num presido feminino na periferia de Goiânia. As Reeducandas aguardavam com um mix de paixão, esperança , ódio, ternura e remorso. A imprensa em geral compareceu. A maior janela foi escancarada diante delas e dos políticos que representavam a sociedade comum. Depois de um discurso e de apresentar a CUFA Goiás para os presentes, MV Bill, democratizando também a palavra, colocou em voga as necessidades das reeducandas fazendo com que elas tivessem voz ativa. Houve comoção, todas as lentes e microfones voltados para aquelas que eram as personagens principais não só do livro, mas da vida real. Os comentários feitos por elas foram reais e foram vistos por pessoas reais. Indagações, reclamações, elogios. Tudo gravado para a sociedade em comum. Pronto, missão cumprida, ou pelo menos parte dela. Fizeram ser vistas, voltaram a ter voz ativa, pelo menos por alguns minutos , que o artista cuja imagem representativa, inibiu a todos e a quaisquer comentários que posteriormente pudessem ser ditos. Os políticos aplaudiram, prometeram e sorriram, tudo isso ta gravado na memória e nas fitas das dezenas de jornalistas que estavam lá e claro , nas nossas lentes . “A CUFA pode contar com agente, estaremos juntos para o que precisarem”, foram essas as palavras de dez entre dez representantes dos poderes do estado e município. Ótimo, agora é nossa vez de começar a fazer por elas e pelos que estão de fora da penitenciaria, evitando que uma vez fora, a possibilidade de estar dentro é eminente.
Dezesseis de janeiro, 20 horas, Junto com o Coordenador da Cufa Goiás, Dyskreto, o Simpático e objetivo MV Bill faz mais um lançamento do livro no auditório da FIEG ( Federação das Industrias do Estado de Goiás), e novamente reuniu políticos, jornalistas, empresários, representantes de movimentos negro,de homossexuais , mulheres, enfim, todos os interessados numa distribuição justa e homogenia dos recursos financeiros destinados ás ações sociais. Apresentou o livro e lançou a CUFA Goiás “embrião” com suas palavras. Embrião por se tratar de algo que ainda não nasceu, que pra que isso aconteça, muita coisa vai ter que acontecer. Para isso a Coordenação regional vem buscado apoio de todos os nichos da sociedade, apresentando as idéias e desenvolvendo projetos para serem aplicados o mais rápido possível, desde que os recursos estejam ao alcance e pra isso é necessário o diálogo, a discussão.
Questionados pela legitimidade da CUFA Goiás em relação ao ultimo evento que reuniu, alem da comunidade e dos lideres de movimentos sociais , e possíveis “intelectuais” e formadores de opinião do estado, a coordenação se manteve concentrada em seus objetivos, entendendo que é preciso que se faça ser visto para ser notado, entendendo que não adianta ter dezenas, centenas de projetos e não ter o suporte para executá-los.
A CUFA tem que ter esse poder de dialogar com diversas classes para que possa comprometer o dinheiro do povo para o povo. Entende-se disso tudo, que a CUFA Goiás tem buscado aliados em diversos segmentos da sociedade, para apresentar projetos e captar recursos para implantá-los da maneira mais sóbria e democrática possível. A favela fazendo para a favela, porém, os recursos têm que ser buscados de onde se espera que ele venha. Desses parceiros que vêm da classe média, alta , dos políticos empenhados e das instituições familiarizadas com os anseios do povo.
Façamos então. A CUFA Goiás não é só querer. É fazer também, “eu acredito e luto”. Cada um com seu cada qual e fazendo do seu jeito.