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21 de fevereiro de 2009

Hip Hop: um novo conceito


Por Linha Dura

O 4º Festival Consciência Hip Hop passou. Vejo a argumentações de algumas pessoas que criticam a rede Fora do Eixo sem saber o que está criticando. Vejo outros defenderem a idéia sem saber também o que realmente estão defendendo. Por isso a necessidade de continuar o debate sobre a proposta. Mas a verdade é que o Hip Hop Fora do Eixo está seguindo a nova lógica de fazer negócios, a nova lógica de circular as idéias, as músicas, os produtores, jornalistas etc.

Antigamente os artistas criavam suas canções, faziam um "corre" para se apresentar, e torciam para que algum produtor ou os contrata-se. Hoje, o artista continua fazendo seus "corres", porém existe um novo território. Não precisamos mais de intermediários, o próprio artista é que gerencia sua própria carreira, graças ao acesso à novas tecnologias, as mesmas que estão quebrando as grandes gravadoras.

Hoje o artista tem seu próprio veiculo de comunicação como o Myspace, a Trama, o blog etc. E a facilidade que se tem em gravar seu próprio cd sem precisar ter grandes estúdios, as rádios? Temos a nossa, pode até não ser um veículo de massa, mas também tem como utilizar as ferramentas da internet. Enfim não tem mais desculpa - o artista que quer viver no modelo passado está fadado ao fracasso junto com as famosas majors. A pergunta que deixo para os leitores desse artigo é: pra que termos intermediários?

O hip hop fora do eixo não é uma ONG, nem nada disso, é só uma rede de trabalho, onde qualquer pessoa que comunga com a idéia pode participar. Queremos e temos que adotar uma nova alternativa de fazer negócio, já que o sonho do artista em ser encontrando por alguém foi por água abaixo.

Essa nova forma de negócio terá que ser nos preceitos da economia solidária. O mundo caminha para as negociações em rede, a união dos pequenos, e isso, infelizmente, por coincidência ou não, não vejo vontade em muitos artistas - os que tem mais visibilidade principalmente.

Falta a vontade de entender que os cachês cobrados esta fora da realidade local, falta vontade de realmente contribuir com a construção do desenvolvimento regional. Falar que está contribuindo, indo na cidade com cachê, tudo pago, inclusive é fácil. Falta vontade de entender que estão falando de revolução social, mas estão pensando e agindo como os grandes empresários donos das grandes gravadoras, onde uma minoria ganha muito e a maioria ganha pouco.

Amigos do hip hop, do Rap, vamos mudar o conceito? Pois não está bom pra ninguém. É só dar uma olhada ao redor, a si mesmo, não adianta reclamar. Primeiro porque foi eu, foi você que escolheu cantar música pra favela, pros miseráveis, pros caras que não tem condições de pagar R$ 5,00 pra entrar em um baile. Mas pro pagode, pro samba, pro funk carioca esses mesmos favelados pagam R$ 10,00 pra entrar. Por que será? E o rap ainda sustenta esses argumentos. Esse é o nosso universo, o nosso público, o nosso mercado? Ops, mercado!? Mas que, qual mercado?

Nesses 15 anos que tenho de hip hop tenho visto as mesmas coisas acontecerem, os mesmos grupos circularem o Brasil, inclusive muitos destes hoje falidos, porque não entenderam a lógica do mercado. De que adianta tocar nas rádios e querer cobrar cachê fora da realidade para outros Estados. Sabem o que acontece? Os grupos não circulam, não conhecem outros lugares.

Para os grupos que já tem certa visibilidade e que já cobram seus cachês de R$ 5 mil, quero dizer que esse valor para regiões como o Centro-Oeste, Norte, Nordeste, é inviável. Sei que seu sonho é viver da música, da arte, mas como moto boy você ganha R$ 800 por mês e como músico você quer ganhar R$ 5 mil por cada show. Aonde esta a lógica, gente? Ser musico é ser iluminado, é isso?

Chegou a hora de voltar e começar de novo, fortalecer os comerciantes, as rádios, os produtores, educar melhor o público, ser mais humilde e entender o processo que está envolvido. Por isso tem que ser um artista trabalhador, o artista igual o motoboy, o artista que entende de mercado.

Então, acorde gurizada! Quer pagar R$ 5 mil de "jabá" para uma rádio? Pode pagar. O direito e o dinheiro são seus, mas lembre que esse caminho é defasado. Com esse valor, eu compro um transmissor e monto minha rádio comunitária e toco o meu som, e som de muitos outros que também estão na batalha.

Vamos continuar sustentando esse pensamento? Ou vamos mudar e construir novas alternativas. O que importa é lutar contra essa grande indústria que favorece somente alguns.

Paulo Ávila, comumente chamado por Linha Dura, é Rapper Cuiabano engajado em movimento social e militante do Movimento Hip-Hop

Acesse o trabalho de Linha Dura em: www.myspace.com/linhadura
Contato: linhadura@gmail.com

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